( 12 de Agosto de 1907 - 17 de Janeiro de 1995 )
Em 1917, aos dez anos, foi para uma casa apalaçada do Porto, habitada por parentes da família. Fardado de branco, servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó, polia os metais da escadaria nobre e atendia campainhas. Foi despedido um ano depois, devido à constante insubmissão.
Em 1918, foi mandado para o Seminário de Lamego, onde viveu um dos anos cruciais da sua vida. Estudou Português, Geografia e História, aprendeu latim e ganhou familiaridade com os textos sagrados. Pouco depois comunicou ao pai que não seria padre.
Emigrou para o Brasil em 1919, com quinze anos, para trabalhar na fazenda do tio, proprietário de uma exploração de café. O tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925, na convicção de que ele havia de vir a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço - o que levou ao seu regresso a Portugal.

Em 1928, entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro de poemas, "Ansiedade".
Em 1929, com vinte e dois anos, deu início à colaboração na revista "Presença", folha de arte e crítica, com o poema "Altitudes". Em 1930, rompe definitivamente com a revista Presença, por «razões de discordância estética e razões de liberdade humana».
Em 1933, concluiu a licenciatura em Medicina com apoio do tio do Brasil. Começou a exercer a profissão nas terras agrestes transmontanas de resto, o pano de fundo de grande parte da sua obra. A partir de 1939, exerceu a sua profissão de médico em Coimbra, onde escreveu a maioria dos seus livros.
A sua campa rasa em São Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra ao poeta.
Ass: Daniel Ferreira